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Felipe Lamounier é empreendedor e sócio na empresa StartSe, focada em iniciativas de lifelong learning. Estudioso no campo da inovação, está lançando o livro “Silicon Valley: A Way Through”, que apresenta um panorama do maior pólo tecnológico do mundo – o Vale do Silício, com cases das gigantes da tecnologia que atuam por lá.

Ele é um dos palestrantes no evento “Mindset inovador: o que podemos aprender com o Vale do Silício?”, que será realizado em São Paulo no próximo dia 29/11 e marcará o pré-lançamento de seu novo livro. Todos os participantes ganharão um exemplar autografado. Clique aqui para se inscrever, o evento é gratuito.

A seguir, leia a entrevista que Felipe concedeu ao Blog do Cronapp, tratando das percepções e experiências que adquiriu ao longo de sua trajetória no Vale do Silício.

Como surgiu a ideia de escrever o livro “Silicon Valley: A Way Through”?

Estou no Vale do Silício há, mais ou menos, cinco anos. Nós temos um programa educacional aqui no Vale, para explicar e ensinar o porquê de o Vale do Silício ser o que é. O que este lugar tem especial? Basicamente, tudo o que impactou e transformou nossa vida nos últimos 50 anos saiu daqui.

Por exemplo, a primeira conexão com a internet, o computador pessoal, o smartphone e, até, aplicativos mais recentes: como Facebook, AirBnB, Uber, WhatsApp e muitos outros.

Eles foram desenvolvidos no Vale do Silício e impactaram na mudança da nossa forma de relacionamento, em como nós fazemos negócio, nos comportamos e nos relacionamos entre as pessoas.

Basicamente, tudo o que impactou e transformou nossa vida nas últimas cinco décadas saiu do Vale do Silício, e o que vai impactar nossa vida nos próximos cinco a dez anos também está sendo desenvolvido aqui.

Então, o que este lugar tem de especial?

Pensamos em consolidar a resposta desta pergunta em programas educacionais para mostrar aos empresários, executivos, pessoas de outros lugares do mundo. O que este lugar tem de especial, e como o que está sendo desenvolvido aqui vai impactar a vida dessas pessoas, além do aprendizado sobre a forma como os negócios são feitos no Vale do Silício.

Nós temos esse programa feito há cinco anos e eu resolvi consolidar tudo e colocar no livro e compartilhar o que ensinamos em nossos programas aqui no Vale.

Você sempre trabalhou com tecnologia?

Sim. Sempre trabalhei com tecnologia. Eu sou formado em computação, estou terminando um mestrado também em computação agora. Mas, sempre estive naquele meio entre computação e negócios. Fiz uma pós-graduação na Berkeley University, em marketing e negócios internacionais. Também fui engenheiro de software, desenvolvedor, durante muitos anos. Trabalhei na TOTVS, que hoje é uma das maiores empresas de software da América Latina. Então, eu conheço muito bem esse mercado de tecnologia.

Como foi a decisão de mudança para o Vale do Silício?

Como eu estava trabalhando em uma grande empresa, e quando uma empresa se torna grande fica cheia de processos, cheguei à conclusão que era hora de mudar e eu larguei toda a minha carreira no Brasil e me mudei aqui para o Vale do Silício.

Isso aconteceu há cinco anos. Durante o processo, eu acabei me juntando ao time da StartSe, empresa da qual eu faço parte hoje.

Qual foi o seu maior desafio no Vale do Silício, que é um grande pólo de inovação?

Acho que o maior desafio aqui é entender, de fato, a cultura. A cultura e o mindset. A forma como os negócios são feitos, como são estruturados. Como as empresas são organizadas aqui e como os relacionamentos são desenvolvidos é muito diferente de outros lugares do mundo.

A maneira como os projetos são construídos aqui é bem diferente. E é isso que eu vou compartilhar com vocês no talk-show que faremos dia 29.11.19.

E o seu maior aprendizado?

O meu maior aprendizado é uma coisa que é muito importante e bem diferente do Brasil: a forma como os projetos são construídos. Para você construir uma coisa nova, a chance de você falhar é muito grande. A chance dessas coisas darem errado é grande.

Então, precisa-se criar um ambiente para quando você está construindo inovação, para que o erro possa acontecer. No Brasil, muitas das vezes, errar não é uma coisa que é vista com bons olhos. Então, muitas pessoas acabam não tentando inovar por medo de falhar.

E aqui no Vale do Silício, quando você falha por tentar inovar, é uma coisa que é vista com bons olhos, como um grande aprendizado e é totalmente diferente daquilo que a gente vê no Brasil, como o que eu acompanho aqui no cotidiano.

A operação da StartSe é no Vale do Silício?

Sim. A nossa operação é aqui no Vale. Nós temos escritório aqui; em Xangai, na China; e em São Paulo, no Brasil.

O que vocês fazem especificamente?

Nós somos uma empresa de educação com conceito de lifelong learning (educação continuada, na tradução em português). Isso significa que, no nosso entendimento, acabou aquele modelo no qual a pessoa passa quatro anos em uma universidade, por exemplo, depois vai para o mercado, trabalha e depois volta à universidade para adquirir experiência.

Eu sou formado em computação. Então, aquilo que eu vi na metade do meu curso na faculdade já estava defasado no que o mercado estava pedindo.

Agora, as transformações acontecem cada vez mais rápido, em ciclos muito menores. Nós precisamos ter educação de curta duração e sempre contínua, sempre baseada em lifelong learning. Temos que “aprender sempre”, porque o mundo está sempre mudando e isso traz sempre novas tecnologias que serão criadas, novos modelos de negócios que serão criados em novas tecnologias e novos modelos de gestão também baseados nas novas tecnologias.

Qual é a principal tendência em tecnologia e mercado para 2020?

2020 seguirá fortemente a tendência da inteligência artificial. Eu venho observando que isso vai ser cada vez mais um esporte, nos próximos anos. Eu estive recentemente no evento Web Summit, em Portugal, que é a maior conferência de startups no mundo. Então, eu sigo apostando na inteligência artificial para o próximo ano.

Qual a principal diferença entre as empresas que são alocadas no Vale do Silício e as empresas brasileiras?

A grande diferença é que as empresas, quando são construídas aqui no Vale, começam com um propósito muito forte. Tudo aqui começa por uma proposta. “Por que você está fazendo aquilo? Qual o objetivo? Qual o impacto que você quer criar com essa empresa? ”.  Isso é uma diferença muito grande das empresas que são construídas no Brasil.

Sempre o propósito vem em primeiro lugar. Vem, inclusive, antes do dinheiro.

O que difere os empreendedores do Vale do Silício de outros pólos tecnológicos, como China, Coreia do Sul, Japão, Taiwan, Tel Aviv, Índia e Singapura, por exemplo?

O que diferencia o Vale do Silício é justamente isso: aqui, existe um framework para se construir um negócio. Então, primeiro, as startups começam com um propósito muito forte. Depois que esse propósito é bem definido e desenhado, essas startups começam a montar o time. Um excelente time vai montar um excelente produto.

 Depois de construir um time forte, é importante ter uma cultura organizacional muito potente. E as pessoas que fazem parte dela precisam ter a mentalidade de dono. E para as pessoas terem mentalidade de dono, elas precisam, de fato, serem donas.

No momento que se estabelece e monta esse time, é muito valorizado pessoas que pensam diferente, que têm o ambiente de diversidade com diferentes perspectivas e diferentes pontos de vista, para que possam cumprir com o mesmo projeto.

Então, esses são os principais fatores: propósito e construir um grande time. A cultura é importante, assim como essa mentalidade de dono que é muito enraizada nas pessoas que trabalham nas empresas aqui.

Qual o recado que você dá para as pessoas que pensam em empreender no Vale do Silício?

O recado que eu dou é que as pessoas venham preparadas, com a cabeça aberta, que deixem todos os preconceitos de lado e venham para aprender.

As pessoas precisam vir com a cabeça de aprender a empreender, porque a forma como se empreende no Vale do Silício é muito diferente da forma como se empreende no Brasil e da forma como se empreende na China, por exemplo.

Então, virem com a cabeça aberta para entenderem, sem preconceitos, e deixarem de lado tudo aquilo o que aprenderam antes, com essa nova forma de se fazer negócio que está sendo construída.

Categorias: Artigos

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